O fim da Era Parmalat no início dos anos 2000 obrigou o Palmeiras a superar mais um árduo período de reconstrução política e administrativa, que estagnou as conquistas nos primeiros anos do Século XXI. O caminho dos títulos só foi reencontrado pelo clube em 2008, quando o Verdão levantou seu 22º título paulista com goleada sobre a Ponte Preta, na final, por 5 a 0.

Em 2012, veio o 11º título nacional ao vencer a Copa do Brasil e, com isso, o Palmeiras ampliou a vantagem sobre o Santos, segundo colocado com 10 taças, no ranking dos maiores campeões do país. A conquista veio com o empate em 1 a 1 diante do Coritiba, no estádio Couto Pereira – na partida de ida, na Arena Barueri, o Verdão havia vencido por 2 a 0.

Fora dos gramados, o Verdão também deu grandes passos em direção à modernização. No principal deles, através de uma parceria com a inciativa privada, o clube deu início em 2008 ao projeto de construção da mais futurista arena de esportes da América do Sul, com capacidade para 40 mil torcedores e até 55 mil espectadores para shows e eventos, além da reforma do clube social. Assim, no mesmo local do solo sagrado do Estádio Palestra Italia, surgiu o Allianz Parque, cuja inauguração ocorreu no segundo semestre de 2014 como presente de Centenário à torcida palmeirense.

No mesmo período, o Palmeiras passou por um enorme processo de profissionalização de setores importantes da instituição. Financeiro, Jurídico, Comunicação e Marketing, entre outros, passaram a ser geridos por equipes especializadas. Novas tecnologias foram implantadas na área médica, técnica e financeira. Além disso, a reformulação do Avanti tornou o programa de sócio-torcedor do Palmeiras um dos maiores do Brasil, gerando uma nova fonte de renda para o departamento de futebol.

E os resultados desta nova fase palmeirense surgiram logo no início de 2015. Além do acerto com a Crefisa como patrocinador máster da camisa, novas caras chegaram à Academia e consolidaram a reformulação no futebol alviverde. O primeiro passo prático veio no Paulistão, com o vice-campeonato do torneio. Mas foi a Copa do Brasil que inflamou a torcida alviverde e coroou o elenco palestrino: após passar por Vitória da Conquista, Sampaio Corrêa, ASA, Cruzeiro, Internacional e Fluminense, o Palmeiras teve novamente o Santos pela frente numa final. Algoz no Paulista, o Alvinegro venceu o primeiro duelo na Vila por 1 a 0, e o Verdão devolveu a diferença no Allianz Parque: 2 a 1. Nas penalidades, com direito a batida decisiva de Fernando Prass, 4 a 3 para o Alviverde e conquista da 12ª taça nacional, consolidando o clube como o maior campeão do Brasil.

A hegemonia nacional aumentou em 2016, quando o Palmeiras encerrou o jejum de 22 anos sem conquistar o Campeonato Brasileiro. Sob o comando de Cuca, que assumiu o time em março, o Verdão realizou uma campanha sólida e conquistou o título de forma incontestável: quebrando tabus, batendo recordes e coroando a temporada com o tão esperado eneacampeonato. O capitão Dudu levantou a taça com uma rodada de antecedência, depois de o Palmeiras derrotar a Chapecoense, por 1 a 0, no Allianz Parque lotado (com recorde de público). A trajetória contou com vitórias importantes – como sobre o Corinthians, na casa do rival – e uma sequência de 15 jogos de invencibilidade entre agosto e outubro.

Em 2017, o Alviverde era apontado como um dos grandes favoritos a conquistar os principais títulos da temporada. Apesar de não ter levantado troféu nesse ano, o Verdão acumulou feitos importantes, como a conquista do vice-campeonato brasileiro. Os golaços, as quebras de tabus, as viradas emocionantes e os gols decisivos nos derradeiros minutos de jogo foram características que deram alma à equipe ao longo de 2017. O sucesso das categorias de base palmeirenses foi outro ponto que chamou a atenção, já que o clube teve, pela primeira vez, as cinco categorias na decisão do Campeonato Paulista (sendo campeão do Sub-11, do Sub-15 e do Sub-20). Além disso, o Alviverde ainda conquistou a Copa do Brasil Sub-17, considerado o principal torneio nacional da categoria. O último grande evento que marcou o ano palmeirense foi a despedida do ídolo Zé Roberto – um dos mais longevos jogadores da história do futebol mundial –, que escolheu o Verdão para pendurar as chuteiras, aos 43 anos.

Já em 2018, o Verdão iniciou a temporada sob o comando do novo técnico, Roger Machado. Os resultados foram satisfatórios, com uma ótima campanha no Campeonato Paulista e também na primeira fase da Libertadores (se classificou para as oitavas de final como dono da melhor campanha do Continental). Na final do Estadual, porém, o Alviverde acabou sendo superado em casa para o seu maior rival, o Corinthians, em uma decisão para lá de polêmica, com uma arbitragem, no mínimo, confusa. A eliminação da Copa do Brasil nas semifinais, para o Cruzeiro, somada à oscilação do time no Campeonato Brasileiro (a derrota para o Fluminense no final do primeiro turno fora a gota d’água), fez com o que o treinador Roger Machado fosse demitido do cargo, vindo para ele um antigo conhecido da torcida palmeirense: Luiz Felipe Scolari.

Com Felipão, o Palmeiras – apesar da desclassificação nas semifinais da Libertadores para o Boca Juniors-ARG – permaneceu invicto por todos os jogos do Campeonato Brasileiro até o fim do certame e sagrou-se campeão com uma rodada de antecedência, diante do Vasco da Gama, em São Januário. O título brasileiro do Palmeiras na temporada 2018 consolidou a ótima fase do clube, pois, pela primeira vez na história, a equipe alcançou uma das duas primeiras colocações do Campeonato Brasileiro em um recorte de três anos consecutivos, sendo campeão em 2016 e em 2018, além do vice de 2017. O principal destaque na campanha do título nacional foi Dudu, que, ao longo do torneio, bateu diversos recordes – dentre eles, se tornou o artilheiro palmeirense no Século XXI e também o maior goleador do Alviverde no Brasileirão desde os pontos corridos (2003).

A temporada 2019 ficou marcada pela despedida do ídolo Fernando Prass ao final do ano e por algumas quebras de recordes e marcas expressivas. Na Libertadores, por exemplo, o Palmeiras disputou uma inédita quarta edição seguida da competição e se consolidou como o clube brasileiro com mais gols no geral e com mais vitórias fora de casa. Já no Brasileirão, alcançou uma série de 33 jogos de invencibilidade (somando 23 de 2018) e bateu o próprio recorde, pertencente à Segunda Academia (26 jogos entre 1972 e 1973) – no geral, atrás apenas do Santa Cruz (35 entre 1977 e 1978) e do Botafogo (42, também entre 1977 e 1978). O Verdão quebrou também seu próprio recorde de invencibilidade como mandante: 32 duelos sem derrota (26 vitórias e 6 empates), superando os 27 jogos entre 1985 e 1987. O clube ainda se tornou o maior campeão do Brasil também na base, com cinco taças nacionais ao faturar a Supercopa do Brasil Sub-17, e derrubou um tabu de 18 anos sem título no feminino, com a conquista da Copa Paulista.

O retorno de Vanderlei Luxemburgo ao time palmeirense (na sua quinta passagem pelo clube), em janeiro da temporada de 2020, trouxe novamente a esperança de encerrar o jejum de títulos estaduais, que já durava 12 anos. O último havia sido em 2008 justamente com Luxa no comando e, antes disso, os de 1993, 1994 e 1996, todos também com o treinador carioca. O último Paulista comandado por outro treinador foi em 1976, com o técnico Dudu (Olegário Toloi de Oliveira).

E de fato, Luxemburgo não decepcionou! Após começar o ano já com a conquista de um torneio amistoso (Florida Cup) do qual o Corinthians também havia participado, o Palmeiras de Vanderlei começou o Campeonato Paulista embalado, conquistando o título paulista sobre o Corinthians, em uma emocionante final no Allianz Parque, nos pênaltis, sendo que a conquista veio em um momento atípico: durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que já havia acometido mais de 100 mil pessoas no Brasil até o fim do Campeonato Paulista – o torneio chegou a ser interrompido por quatro meses.

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